Editorial: Soldadinhos de chumbo e jogos de poder
 




Otto Czernin

A maçonaria é uma questão de crianças adultas com problemas de infância mal resolvidos, a isto junta-se um fascínio doentio pelo poder, falta de independência de espírito, personalidade fraca e temos o retrato robot do maçon.
Quem andou à solta na rua, ou em colégios internos sabe do que estou a falar, o gang é tudo, quem está dentro está protegido os que estão de fora, o melhor é não estorvar.
Mais tarde, os mais práticos passam a mafiosos, os mais intelectuais a maçons, uma espécie de malandro com curso superior e uma cultura acima da média.
A maçonaria transforma brincadeiras de crianças em brincadeiras de homens, pequenas ciladas em golpes de estado, mentiras em campanhas de difamação, segredinhos em conspirações, pequenas aldrabices em fraudes, beliscões em assassínios, e por aí fora, tudo isto envolto num manto de espiritualidade e boas intenções, recheado de aventais e martelinhos, simbolismos que fazem lembrar as colecções de soldadinhos de chumbo da nossa infância.
Mas como tudo na vida, tudo isto tem uma explicação!
Após a queda do Império Romano do Ocidente, a Europa ficou às escuras.
Os tais dos bárbaros, apesar de bárbaros, agarraram-se à única luz que permanecera acesa no meio das cinzas da destruição.
Essa luz, a que chamamos Cristianismo, referência e refúgio do Ocidente, chamou a si cultura, saber, arte, defesa e muito poder.
Foi a Idade Média, a época das catedrais, verdadeiros arranha céus góticos, glorificação humana e vã tentativa de chegar a Deus, motivo de competição entre cidades (um pouco à semelhança do que se passa hoje em Portugal com os estádios de futebol e shoppings).
Foram pois chamados pedreiros, que privando com a hierarquia da igreja no planeamento e construção dessas obras-primas, acederam a um monopólio de saber normalmente circunscrito a monges e bispos.
Este convívio levou-os a achar, na sua inocência e presunção, estar na presença de segredos vedados ao comum dos mortais, segredos esses que seriam hoje porventura chamados de evangelhos apócrifos ou outros, e que a igreja nessa altura e na sua missão de separar o trigo do joio, quisera talvez pôr de parte, não para esconder mas antes para não confundir os fiéis.
Daí a entrarem numa espécie de concorrência surda com a igreja foi um passo, copiando mesmo alguns rituais que lhes conferiam uma falsa solenidade, proclamando princípios que lhes conferiam uma falsa espiritualidade, fazendo mesmo, em alguns casos, as mesmas asneiras, sacrificando princípios a interesses.
Daí a se organizarem como sociedades secretas foi outro passo, e de passo em passo chegaram ao século xxi com o poder, de poder influenciar o poder.
Tudo isto com uma diferença inultrapassável em relação ao Cristianismo.
O maçon prescindiu de Deus para tentar construir um mundo perfeito, o cristão tenta construir esse mundo em comunhão com Deus, seguindo o exemplo de Cristo, o tal Escravo que morreu pregado a uma cruz há 2000 anos.
Por isso o Cristianismo é completamente incompatível com a maçonaria, pois esta é uma falsificação reles, barata e por vezes mal intencionada do primeiro.
Nesta edição da MGI fomos espreitar algumas histórias da maçonaria em Portugal.
Boa leitura!
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